20/09/2016

A mulher deve ser submissa ao seu marido? - RC237

É verdade que as mulheres devem se submeter aos seus maridos? Veja, a pergunta existe porque na Carta aos Efésios, São Paulo diz isso. "Mulheres, sedes submissas aos vossos maridos". E é exatamente esse tipo de frase que é usado como uma arma contra o cristianismo pelas feministas radicais que dizem "o cristianismo é uma religião que deve ser abandonada" porque é uma religião que promove a opressão da mulher. Bom, qual é a interpretação dessa frase?

Em primeiro lugar, eu gostaria de convidar a que se olhasse para a história, ou seja, se o cristianismo de fato promovesse a opressão da mulher, como explicar que o cristianismo historicamente foi a primeira religião que realmente deu dignidade à mulher, enquanto todas as outras tratavam a mulher como objeto, como propriedade do macho, o cristianismo deu um papel de protagonista para a mulher dentro da família e dentro da sociedade, como verdadeiras líderes espirituais.

Nenhuma religião tem doutoras como o cristianismo que nos ensinam a mística e o relacionamento com Deus. Agora, uma vez que a gente olha para a realidade da história, quer dizer que a interpretação não seja exatamente aquilo que nós pensamos. Então, qual é a verdadeira interpretação?

O Papa João Paulo II escreveu uma carta apostólica chamada "Mulieres dignitatem", em 1988, no nº 24, falando da novidade evangélica, ele dá a interpretação desse versículo de São Paulo e ele faz notar que esta submissão não é somente da mulher para com o marido, mas ela é mútua. Veja o que está na Sagrada Escritura, na Carta aos Efésios que é o livro do qual esse versículo é tirado, capítulo 5, versículo 21, diz assim: "Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo".

Vejam, a submissão é mútua. Uns aos outros. Ou seja, o homem é submetido à mulher e a mulher é submetida ao homem, mas não porque os dois são déspotas, são ditadores dentro da casa, da família e nós temos aqui uma verdadeira luta de classes. Não. Se submetem uns aos outros por causa de Cristo, nós estamos falando aqui de um sacramento. E é exatamente este o contexto que São Paulo tenta explicar quando diz: "Mulheres, sede submissas aos vossos maridos. Maridos, amai as vossas mulheres como Cristo amou a Igreja." E São Paulo diz: "É grande esse mistério e eu estou falando de Cristo e da Igreja." Ele está fazendo uma comparação.

Seria absurda a comparação de dizer que a Igreja deveria submeter o Cristo. Não. Não cabe, então, já que a submissão é a Cristo, as mulheres sejam submissas. No fim das contas, o que significa é o seguinte. Tanto as mulheres devem ser submissas aos seus maridos como os maridos devem ser submissos às mulheres, assim como os maridos devem amar as mulheres e, evidente, as mulheres têm que amar os seus maridos.

Colocar o significado dos versículos numa direção única seria criar o absurdo de pensar que São Paulo estaria dizendo que somente os maridos devem amar e as mulheres não. É assim que a Igreja não deseja oprimir as mulheres, mas deseja o contrário. Fazer com que nós nos submetamos quando vemos o amor de Cristo por nós. Se você, mulher, tem um marido que, como o Cristo derrama o seu sangue por você, como Cristo amou a Igreja, então, eu tenho a certeza: você não vai ter medo de submeter a um homem que ama você assim. E também o contrário.

Quando um marido encontra uma mulher que derrama o seu sangue por ele, ele não terá medo de se submeter a ela. É assim que a razão da submissão é o amor. O amor de Cristo manifestado na pessoa com a qual eu convivo, que é a minha esposa, que é o meu esposo. Quando você agora voltar para casa e abrir a porta de casa, se comporte como se você estivesse abrindo a porta do sacrário. Aí sim você vai estar vivendo um sacramento. Aí sim você vai estar compreendendo a mensagem de São Paulo, e ame, ame aquela pessoa como você amaria o Cristo.


Texto acima: Transcrição do vídeo.

Texto do site abaixo:


Em sua Carta aos Efésios, São Paulo escreve "que as mulheres também se submetam, em tudo, a seus maridos" (Ef 5, 24). A frase, tirada de seu contexto, é usada por grupos feministas para "provar" que a religião cristã oprime o sexo feminino.

Olhando para os fatos históricos, porém, a verdade é que nenhuma religião deu tanta dignidade à mulher como o Cristianismo. Enquanto todas as demais a tratavam como um objeto ou uma propriedade do sexo masculino, a Igreja deu-lhe o papel de protagonista na família e na vida em sociedade, chegando a apresentar várias delas como doutoras da Igreja e mestras da vida espiritual – é o caso, por exemplo, de Santa Hildegarda de Bingen, Santa Catarina de Siena e Santa Teresinha do Menino Jesus.

Ora, se é assim, talvez a sentença do Apóstolo deva ser interpretada de forma diferente da que é feita comumente. São João Paulo II, em sua Carta Apostólica Mulieris Dignitatem, ensina que "todas as razões a favor da 'submissão' da mulher ao homem no matrimônio devem ser interpretadas no sentido de uma 'submissão recíproca' de ambos 'no temor de Cristo'." [1]. De fato, exorta São Paulo, no mesmo trecho das Escrituras: "Sede submissos uns aos outros, no temor de Cristo" (Ef 5, 21). A submissão, portanto, é mútua, não por haver dois ditadores em uma "luta de classes", mas por causa da relação entre Cristo e a Igreja, da qual o Matrimônio cristão é um sacramentum, um sinal (cf. Ef 5, 25. 29. 32).

Assim, pois, ambos os conselhos do Apóstolo – tanto o que exorta à submissão da mulher quanto o que chama ao amor por parte do homem (cf. Ef 5, 25) – não devem ser entendidos em uma única direção. Afinal, não são apenas os maridos quem devem amar as suas esposas, como estas devem amar aqueles; não são, também, apenas as esposas quem devem se submeter aos seus cônjuges, como estes devem fazer do mesmo modo. A Igreja não quer "oprimir" as mulheres, mas fazer com que os casais se submetam reciprocamente, a partir do amor de Cristo.

De fato, que mulher pode temer ser submissa a um marido que, por causa dela, derrama o seu sangue, a exemplo de Cristo, que "amou a Igreja e se entregou por ela"? E que homem pode rejeitar ser submisso a uma esposa que o ama do mesmo modo?

Eis, portanto, o modo como devem viver os casais em santo Matrimônio: abrindo a porta de casa como se abre a porta do sacrário, amando o outro como se ama o Cristo. Nisso não há nenhuma opressão, mas tão somente o amoroso projeto de Deus para o gênero humano.

Referências:
  1. Papa João Paulo II, Carta Apostólica Mulieris Dignitatem, 15 de agosto de 1988, n. 24

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Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências:
https://padrepauloricardo.org/episodios/a-mulher-deve-ser-submissa-ao-seu-marido