02/09/2016

31. Missas Inculturadas

Na resposta católica de hoje, nós gostaríamos de tratar do tema polêmico das missas inculturadas, e queremos responder a várias perguntas dos nossos internautas como o Marcos Luís, o Sandro, o Vitor, que querem saber o que são essas missas afro, missas sertanejas, missas variadas, que nós encontramos hoje em dia.
Em primeiro lugar é necessário a gente distinguir duas coisas, a Igreja reconhece o princípio inculturação do evangelho.
Ou seja, é necessário para que a mensagem do evangelho chegue até os povos que a Igreja assuma a forma de falar daquele povo e assim a mensagem do evangelho que é sempre a mesma, a mesma fé dois mil anos vai ser compreendida pelos povos nesse esforço de adaptação.
Um exemplo extraordinário de inculturação, nós tivemos no padre, bem aventurado, José de Anchieta, o grande apóstolo no Brasil, que veio ao nosso país e aqui aprendeu a língua indígena, escreveu uma gramática tupi, fez peças de teatro em língua tupi e em português-espanhol, que eram as línguas faladas no Brasil naquela época, e assim ele pode transmitir a fé e evangelizar. E tendo em vista que o nosso país se tornou um país maciçamente católico, acho que o esforço, do bem-aventurado José de Anchieta foi bastante eficiente, foi realmente uma inculturação evangelizara.
Agora, este esforço de inculturação na evangelização, não pode ser colocado dentro da liturgia sem uma autorização expressa da Santa Sé. Essa é a realidade canônica que nós encontramos hoje.
Ou seja, é possível se colocar algo de uma cultura dentro da missa? Sim, sem dúvida alguma, as conferências episcopais podem propor isso e a Santa Sé na Congregação para o Culto Divino, é responsável por aprovar esta realidade.
Então não é algo que você possa fazer ao seu bel-prazer, nada disso, existe uma disciplina, existe uma regra da Igreja, com relação à essa realidade da inculturação.
Esse é o lado positivo. Agora, qual é o lado negativo?Vejam, se nós quisermos debater a respeito dessas missas inculturadas, nós temos que, em primeiro lugar compreender que todas as discussões que nós encontramos na internet, estão fora de foco.  Ou seja as discussões que nós encontramos na internet partem do pressuposto que o interlocutor está bem intencionado. Infelizmente essa não é a realidade que nós vemos na Igreja hoje, ou seja, nós não estamos lidando com pessoas bem intencionadas que querem levar o evangelho para uma cultura diferente. Se nós partirmos do pressuposto, que nós temos aqui missionários, pessoas bem intencionadas, que querem converter os povos e transformá-los em cristãos, aqui, a nossa discussão vai ficar completamente fora de foco, e nós estamos correndo o risco de falar para ouvidos moucos. Porquê? Porque a maior parte das pessoas, que falam de inculturação, estão querendo fazer exatamente o contrário. Ou seja, não levar o evangelho para os povos, para o mundo, mas trazer o mundo pra dentro da Igreja.
Esta é a grande dificuldade e é por isto que, além de um evidente abuso litúrgico, que são essas missas inculturadas, nós não temos somente um abuso jurídico, mas nós temos um grande erro moral, uma grande traição do cristianismo. Porquê? Porque se o cristianismo é, realmente, alguma coisa, se ele tem algum significado, o significado dele é que Deus veio a este mundo para nos salvar, um acontecimento histórico redentor, na pessoa de nosso senhor Jesus Cristo, e este acontecimento histórico deve ser acolhido por todos os povos, por todas as raças, por todas as pessoas, e é por isso que a Igreja é universal, ou seja, católica, ela visa incluir todas as pessoas.
A evangelização supõe a conversão. Isso quer dizer que onde quer que o cristianismo vá, ele irá necessariamente transformar as culturas, ele irá necessariamente fazer com que as mentalidades mudem, conversão, mudança de mentalidade, isso quer dizer que quando São Paulo, no seu esforço missionário, chegou à Europa, não chegou e disse sim: “Olha, nós temos que nos inculturar, porque esses pagãos europeus acreditam nos deuses gregos e romanos, vamos então, ao invés de falarmos sobre o Pai, Filho e Espírito Santo, vamos falar de júpiter, apólo, minerva e assim por diante.” São Paulo não fez nada disso. São Paulo mostrou que aqueles deuses eram falsos, vazios, e sem sentido. E pediu aos povos da Europa a conversão. E vamos ser sinceros. O esforço dele foi bem sucedido, graças a Deus, nós tivemos uma Europa cristã. Porquê? Porque nós não tínhamos traidores dentro da Igreja, que queriam ser aplaudidos pelo mundo, nós tinhamos evangelizadores e missionarios que enfrentavam os povos bárbaros até o martírio, como tantos mártires evangelizadores que viveram sua vida ao longo dos séculos da Igreja.
São Paulo é um deles, mas nós podemos lembrar outros exemplos, como São Bonifácio, que deu sua vida para evangelizar os povos germânicos. No Brasil, nós tivemos também, o exemplo da fé, dos nossos primeiros mártires, os mártires do Rio Grande do Norte, que deram a sua fé, e que batizaram o chão do nosso país, derramando o seu sangue. Nós tivemos um exemplo de Roques Gonzales e seus companheiros, Inácio de Azevedo e seus companheiros mártires, gente que derramou a fé para que eu e você hoje acreditássemos, gente que, não quis fazer ecumenismos, nem macro-ecumenismos, diálogos inter-religiosos, nesse sentido de capitular a fé, e deixar que tudo que é pagão e não cristão, entrasse dentro da Igreja.
Nós estamos diante de uma mentalidade revolucionária. Revolução quer dizer isto, colocar as coisas de cabeça para baixo. A Igreja sempre reconheceu a inculturação, que era o seguinte, o evangelho de Cristo, a pessoa divina de nosso Senhor Jesus Cristo, pode falar a língua de todos os povos e assim todos os povos podem mudar, todas as culturas podem ser convertidas, todas as culturas que tem algo de bom, mas também tem muita coisa ruim, podem ser transformadas desde dentro de seu coração.
Mas, você agora, canonizar as culturas pagãs, e dizer que elas são lindas e assim apostatar a fé, deixando o nosso senhor Jesus Cristo de lado, isto é simplesmente a traição do cristianismo e isto é feito, infelizmente, tragicamente, por cristãos, é feito por padres, por religiosos.
Eu conheci o testemunho de uma irmã que vive á anos e anos anunciando numa tribo indígena e se orgulha dizendo que ela jamais conseguiu o batismo de um índio. Para ela é motivo de orgulho, “veja o que interessa é que eu cumpri minha missão”, mas eles não se converteram. São Paulo rasgaria suas vestes. São Paulo diria: “então, irmã o que a senhora está dizendo é que eu corri em vão, o que a senhora está dizendo, é que eu derramei o meu sangue inutilmente.
Esses “inculturadores” loucos, o que fazem é dar gargalhadas diante do túmulo dos mártires e dizer, “tolinhos”, morreram inutilmente, porque é que vocês derramaram seu sangue, se recusando a oferecer sacrifícios aos deuses pagãos, bastava se inculturar e se adaptar á essas religiões pagãs. Notou a blasfêmia? A falta de fé?
Então, se nós quisermos compreender, esses fenômenos de inculturação, que nós vemos tragicamente dentro da Igreja hoje em dia, nós temos que compreender, que o que está por trás é uma traição. Uma traição do cristianismo e da fé. Uma verdadeira apostasia. Não chega nem sequer ser heresia, porque heresia, é negar uma verdade de fé.
Esse tipo de esforço, que, de alguma forma se sente seduzido pelo mundo, e se deixa que o paganismo, a idolatria, entrem dentro da Igreja, não é uma heresia, é total apostasia, é o abandono total e completo da fé, de que em Jesus Cristo se encontra a verdade e que nas outras religiões, se elas têm alguma verdade, esta verdade já está em Jesus Cristo.
Vejam, é possível inculturar? Sim, é possível, mas, não é isso que nós vemos. O que nós vemos são pessoas que usam a palavra inculturação, para fazer uma outra coisa, que se chama revolução e apostasia. Saibamos, não é isso que a Igreja deseja, não é isto que significa fidelidade, nem a fé dos apóstolos, ao santo Padre o Papa e à Igreja de dois mil anos.



Texto acima transcrito do vídeo.

Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências: