14/09/2016

325. Terça-feira da 24.ª Semana do Tempo Comum (P) - Jesus quer nos introduzir em outra vida

Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, Amém.

Meus queridos irmão e irmãs, o evangelho de hoje, nos fala da ressurreição do filho da viúva de Naim. Esse milagre é narrado somente por São Lucas, e trata-se de um destes poucos relatos de ressurreição nós temos na verdade, três. A ressurreição da filha de Jairo, a ressurreição deste filho da viúva de Naim e a ressurreição de Lázaro. 

O que é que Jesus quer nos ensinar, ressuscitando os mortos? Vejam, aqui é muito importante nós nos darmos conta de que as ressurreições que são narradas nos Evangelhos, são milagres temporários, nós não estamos falando da ressurreição final. Isso é muito importante, a gente saber a diferença. Na verdade, o que é narrado nos Evangelhos é mais uma revivificação do que uma ressurreição. Qual é a diferença? A diferença é que, a ressurreição dos mortos, é algo que acontecerá no fim dos tempos, é algo definitivo e escatológico. 

Todos nós, seremos ressuscitados dos mortos, e introduzidos na vida, ou seja na vida de Deus, se formos salvos. Ou seremos ressuscitados para condenação eterna, seja como for, a ressurreição final, do último dia, é algo definitivo. As pessoas ressuscitadas, já não morrem mais. Já as ressurreições que Jesus realiza nos Evangelhos, são ressurreições temporárias, ou seja, a pessoa é trazida de volta para esta vida, ela não é introduzida naquela outra vida, na vida eterna. E aqui você já compreende perfeitamente o caráter de sinal de seus milagres, Jesus está apontando o dedo para algo invisível, um sinal que indica uma luz invisível, ou seja, a ressurreição final, a vida eterna, a vida de Deus que há de vir. É importante nós compreendemos isso, porque isto é uma chave de leitura, de todas as realidades do Evangelho. 

Nós temos algumas igrejas evangélicas por exemplo, que insistem muito nessa coisa de milagres, de sinais, de portentos, como se Deus quisesse resolver a nossa vida aqui. Inclusive eles até chegam a uma conclusão totalmente errada, de que se você pede um milagre para Deus e se Deus não faz esse milagre, é porque você não tem fé, a culpa é sua, porque Deus não quer a doença, Deus não quer a morte, Deus não quer nenhum problema na nossa vida, portanto, se você rezou, e não aconteceu, é falta de fé. Essa conclusão é completamente esdrúxula, fora de cabimento. 

E além disso, é uma ignorância teológica radical, porque, com todo respeito, eu não estou aqui em xingando as pessoas, só estou dizendo que é uma ignorância teológica, porque nós não estamos numa vida definitiva aqui. Então quer dizer o seguinte, por mais que eu reze, e Deus faça um milagre físico todos os dias da minha vida, haverá uma doença final, que irá me arrebatar, que irá desfazer esta vida aqui. 

Todos morrerão. E se nós morremos, não é por falta de fé! Nós morremos porque, esta é a condição atual desta vida, esta vida que está aqui, de nós que vivemos infelizmente nessa natureza decaída. Então, nosso Senhor quer resolver nossos problemas, sim, mas para nos introduzir numa outra vida. A ressurreição do filho da viúva de Naim é um sinal, um dedo que aponta, para uma vida que é uma vida, para além desta vida, a vida eterna, a vida que Deus quer nos dar. Portanto, todos os milagres que você ver, narrado nos Evangelhos, não são milagres para resolver problemas, são milagres que apontam para uma vida superior, porque para isto que Jesus veio. Veio para nos introduzir na vida do Céu.

Deus abençoe você.
Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, Amém.


Acima, texto transcrito do vídeo:


Abaixo, texto do site:



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 7, 11-17)


Naquele tempo, Jesus dirigiu-se a uma cidade chamada Naim. Com ele iam seus discípulos e uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava. Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: "Não chores!"

Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: "Jovem, eu te ordeno, levanta-te!" O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: "Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo". E a notícia do fato espalhou-se pela Judeia inteira e por toda a redondeza.


A ressurreição do filho da viúva de Naim, narrada pelo Evangelho de hoje, trata-se, melhor dizendo, de uma revivificação. Ao trazer novamente a esta vida os mortos, afinal, Nosso Senhor estava operando milagres temporários. Alguns anos mais tarde, todos aqueles cadáveres reanimados voltariam a enfrentar o fatídico encontro com a morte.

Quem crê em Cristo e cumpre a sua vontade, no entanto, mesmo morrendo para esta vida simplesmente biológica, será introduzido na vida eterna, no Reino dos Céus, onde não existe mais morte de nenhuma espécie, e passará no fim dos tempos pela ressurreição definitiva dos mortos, aquela que confessamos todos os domingos ao rezar o Símbolo dos Apóstolos: "Creio na ressurreição da carne".

Peçamos ao Senhor, neste dia que começa, que nos ajude a ter os olhos bem fixos nas realidades eternas, a fim de que não se putrefaça com nossa carne corruptível a nossa alma imortal, criada para a bem-aventurança eterna ao lado de Deus.


Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências:
https://padrepauloricardo.org/episodios/jesus-quer-nos-introduzir-em-outra-vida