14/09/2016

326. Festa da Exaltação da Santa Cruz

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém.

Meus queridos irmãos e irmãs, hoje celebramos a festa da exaltação da Santa Cruz. É uma festa, que só têm sentido, para quem verdadeiramente tem fé no amor de Deus manifestado na cruz de Cristo. O evangelho que a Igreja proclama, é uma dessas pérolas preciosas que contém um núcleo da boa nova. Deus amou tanto o mundo, que enviou o seu Filho. Ele nos deu o seu Filho, enviou seu Filho para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna.

João, capítulo três, versículo dezesseis, é um versículo tão precioso, que se nós perdêssemos toda a Sagrada Escritura, mas tivéssemos na memória esse versículo, nós teríamos ainda, o centro do Evangelho, ou seja, aquilo que verdadeiramente importa.

Então, o que é que a Igreja quer nos ensinar? Quer nos ensinar que na cruz de Cristo, brilha, o amor de Deus por nós. Essa é a primeira coisa, e é a realidade mais importante. Digo isto, porque parece uma coisa óbvia para algumas pessoas, que infelizmente nos últimos tempos, tem-se enfatizado muito o outro lado da moeda, ou seja, ao invés de nós olharmos para a cruz de Cristo e vermos na cruz de Cristo, Deus abandonado pelo homem, Deus que amou tanto o mundo, embora o mundo tenha rejeitado o Deus que se fez carne.

A ênfase que se dá é o contrário, ou seja, de olhar para a cruz de Cristo e ver, o homem abandonado por Deus. Mas se nós olharmos na cruz de Cristo, se virmos somente o homem abandonado por Deus, nós estamos com metade da verdade, e aliás, a metade menos importante. Eu sei que existe muita espiritualidade e existem pessoas que enfatizam muito essa realidade do Cristo abandonado, algumas teologias que exploraram bastante, este veio precioso, existe algo de bom ali, eu não estou negando, nem estou condenando ninguém como herege, não é isso. Mas o que eu estou dizendo é que, a experiência dos primeiros cristãos, era exatamente o contrário.

Se você for ver por exemplo, a primeira carta de São João, quando São João diz que Deus é amor, a afirmação de que Deus é amor, está toda enquadrada na realidade da cruz de Cristo, ou seja, a cruz de Cristo, o amor de Deus manifestado na morte de Cristo na cruz, é que nos revela a natureza de Deus, como amor infinito, amor sem limites, amor radical. E é nesse sentido que nós podemos falar da exaltação da cruz de Cristo, o Cristo que morre na cruz, é levado. Ele, atrai, atrai todos para si, porque aquele amor nos atrai.

Veja, é importante nós nos darmos conta de que o amor que nos salva, é esse amor passivo ou seja, o amor que nós recebemos de Deus, que recebemos de Cristo na cruz, e é por isso que o versículo do Evangelho que nós estamos comentando fala, que nós precisamos ter fé para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna.

Ao olhar a cruz de Cristo, nossa reação é a fé, porque com a fé que nós recebemos todo o influxo positivo, toda a eficácia salvífica que vem daquela realidade. A carta de São Paulo aos Romanos, explica isso de forma magnifica, quando fiz que,  o Evangelho é uma força de Deus para aquele que crê, é uma "dínamis", é uma capacidade nova, nós somos capacitados, nós somos refeitos, nós somos recriados, nós somos renovados interiormente, quando cremos no amor de Deus que se manifestou no Cristo crucificado. Deus amou tanto o mundo que nos deu o seu Filho, tenhamos fé, e somente na fé, veremos com que amor nós fomos amados.

Deus abençoe você.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém.


Acima, texto transcrito do vídeo:


Abaixo, texto do site:


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 3, 13-17)

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: "Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna.

Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele".

A festa da Exaltação da Santa Cruz, que a Igreja celebra neste dia 14 de setembro, só tem sentido para aqueles capazes de contemplar, no madeiro em que pendeu Jesus de Nazaré, o grande amor de Deus pela humanidade. É o que diz o Evangelho de hoje, condensando em um só versículo todo o núcleo da boa nova: "Deus amou tanto o mundo", diz São João Evangelista, "que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna". 

Ainda que a muitos chegue a parecer óbvia a associação entre o lenho da Cruz e o amor de Deus, muitos teólogos modernos, preferindo uma ênfase por vezes desproporcional na humanidade de Cristo, terminam enxergando no Crucificado muito mais "um homem abandonado por Deus" que propriamente "Deus abandonado pelo homem". Embora uma abordagem desse gênero seja perfeitamente possível dentro dos limites da sã doutrina, a experiência que os primeiros cristãos tiveram com a Santa Cruz não é exatamente esta, senão a do amor divino, como testemunha o mesmo Apóstolo São João (cf. 1Jo 4, 8).

Para receber o influxo dessa caridade, no entanto, é condição imprescindível a virtude da fé, pois ninguém pode ser amado sem antes acreditar no amor com que o outro se expressa. É por isso que só "para aquele que crê o Evangelho é uma força salvadora" (Rm 1, 16), que dá a vida eterna e verdadeiramente preserva da morte. Peçamos ao Senhor que nos aumente então a fé, para que passemos toda a nossa existência neste mundo a viver de amor, recebendo do costado aberto de Cristo todo o alimento de que precisamos para a nossa caminhada neste mundo.


Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências:
https://padrepauloricardo.org/episodios/festa-da-exaltacao-da-santa-cruz