16/09/2016

328. Sexta-feira da 24.ª Semana do Tempo Comum (P) - A vocação contemplativa da mulher

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Meus queridos irmãos e irmãs, no evangelho de hoje Jesus é apresentado como rodeado por mulheres que o ajudam. E nós podemos então refletir um pouco aquilo que é a missão própria da mulher dentro da Igreja. Veja, é interessante nós notarmos o seguinte, em primeiríssimo lugar, que os evangelhos quando narram a trajetória de Jesus, narram ao mesmo tempo uma espécie de "falência" dos apóstolos, ou seja, do lado masculino dos discípulos que vão abandonando Jesus. Um trai Jesus, o outro nega, os outros nove desaparecem e somente o pequeno João é que fica ali com a Virgem Maria aos pés da cruz. No entanto, as mulheres, as mulheres que inicialmente não apareciam, agora começam a aparecer e então há uma progressão.

Elas começam a aparecer cada vez mais. Nós poderíamos enxergar aqui dentro desta realidade feminina, a vocação contemplativa dentro da Igreja. Nós vivemos num mundo onde se valoriza muito o trabalho, a técnica, a atividade, o poder, por isso, de alguma forma, nós temos uma tendência de achar que os apóstolos, que são vida ativa, ou seja, da vida "missionária", estes sim, é que são a verdadeira alma da Igreja.

Mas, essas mulheres que estão ali "acolitando", ou seja, acompanhando Jesus não parecem ser importantes, no entanto, quando nós mergulhamos teologicamente para a verdade destas mulheres que são resgatadas pelo Cristo, assim como os homens foram resgatados, mas resgatadas para uma vida interior, para uma vida contemplativa, nós aí vemos uma realidade extraordinária fundamental que está no coração da própria Igreja: não existe Igreja sem a vida contemplativa, sem a vida de oração, sem a vida daquelas mulheres que se sacrificam para, com a sua oração e a sua entrega, dar o combustível que sustenta toda a atividade missionária da Igreja.

Interessante nós vermos isso, é uma constante na história de dois mil anos, quando, por exemplo, no século XVI, a Igreja teve que enfrentar duas grandes dificuldades, a dificuldade da heresia protestante e a dificuldade de evangelizar a América, uma pobre mulher espanhola chamada Teresa d'Ávila, querendo ajudar a Igreja que estava tão necessitada, reformou o Carmelo e com suas doze carmelitas no Carmelo de São José, ela pensava que faria um grande bem às almas.

E era verdade, e continua sendo verdade. Sendo assim, a Igreja ainda hoje faz o chamado para que muitas mães espirituais assumam essa missão contemplativa ou, se não quiser usar essa palavra, a missão de verdadeiras intercessoras que se oferecem em sacrifício para que a missão apostólica continue progredindo. São as mães espirituais dos sacerdotes.

Se você se sente chamada para essa vocação, organize um pequeno grupo, um pequeno grupo de mães espirituais que adotem sacerdotes concretamente, especificamente, ofereçam sacrifícios, intercedam, rezem e sejam estas mulheres que acompanham o Cristo na sua missão apostólica e O acompanham até os pés da cruz mesmo quando os outros discípulos parecem falir.

A missão contemplativa, de intercessoras que se oferecem em sacrifício é fundamental, são a verdadeira alma da Igreja, uma alma escondida, às vezes não valorizada pelo mundo, mas para aqueles que têm fé, a alma verdadeira que sustenta toda a atividade da graça.

Deus abençoe você.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Acima, texto transcrito do vídeo:


Abaixo, texto do site:


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 8, 1-3)


Naquele tempo, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.

À medida em que os Evangelhos nos narram a vida pública de Nosso Senhor, duas coisas podem notar-se: de um lado, a progressiva "falência" dos Apóstolos, que abandonam Jesus no mais crítico dos momentos — um O trai, outro O nega, os demais, à exceção do jovem João, deixam-nO a sós sobre o Calvário; de outro lado, a presença cada vez mais evidente do elemento feminino: referimo-nos àquelas santas mulheres que, com o passar do tempo, despontam aqui e ali ao longo da narrativa evangélica com uma frequência sempre crescente, dando assim prova de fé e fidelidade a Cristo.

Nesta especial sensibilidade feminina à pessoa e à mensagem de Jesus de que nos dá testemunho a Liturgia de hoje é possível enxergar a vocação contemplativa dentro da Igreja e, por isso mesmo, o elemento fundamental de toda a sua atividade missionária e evangelizadora. É, com efeito, da oração e do sacrifício diário que inúmeras religiosas fazem de si que a Igreja se alimenta para, exercendo o seu múnus apostólico, levar a Boa-Nova a quem não tem ainda a alegria de dizer-se cristão. Por isso, sintamo-nos chamados nesta sexta-feira não só a rezar pelas vocações religiosas, mas para, arregaçando as mangas, "adotarmos" um sacerdote por quem rezar concretamente, a fim de que, auxiliado por nossas humildes orações, ele possa ser fiel seguidor de Cristo e corajoso pregador do Evangelho.


Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências:
https://padrepauloricardo.org/episodios/a-vocacao-contemplativa-da-mulher