19/09/2016

329: Sábado da 24.ª Semana do Tempo Comum (P) - As chagas de São Francisco de Assis

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Meus queridos irmãos e irmãs, no dia 17 de setembro, a família franciscana celebra a impressão das chagas de são Francisco de Assis. São Francisco das Chagas. E o evangelho de hoje, é o evangelho do semeador, como é que vida de São Francisco pode, de alguma forma, comentar para nós o evangelho que a Igreja proclama?

Bom, em primeiro lugar nós vemos que o Francisco de Assis é um jovem dissipado, sonhador, é exatamente a semente que cai no caminho, ou seja, ele era cristão, ouvia as palavras do evangelho, mas nunca parou realmente para receber aquela mensagem, meditar sobre aquela palavra.

Na prisão, quando ele sofreu a derrota na guerra, teve a oportunidade de começar a refletir, foi aí que começou a diferença, começou a mudar a vida do Francisco de Assis, que antes era um trovador, que era um homem que vivia de festas e dos prazeres mundanos, agora, então, finalmente a semente começa a brotar. Mas essa semente que brota, brota sendo uma proposta, uma proposta de configuração ao Cristo.

Quando São Francisco de Assis ouve Cristo Crucificado que lhe fala, ali nós vemos uma mudança: o rapaz que antes não queria saber de dor e de sacrifício finalmente começa a sofrer por amor ao Cristo. Eis aí a semente que caiu no pedregulho e não aceita o sofrimento, agora o Francisco aceita o sofrimento e configura, aceita a cruz de Cristo, quer verdadeiramente sofrer por amor a Ele e começa a amar Jesus. Mas não para por aí, depois nós temos a semente que é sufocada pelos espinhos, ou seja, as preocupações do mundo, o Francisco rico, o Francisco cheio de bens, se desfaz de tudo isso, entrega tudo e desposa a Dona Pobreza. É assim que ele, despreocupado da mundanidade pode, finalmente, livre alça voo. Sim, esse será Francisco de Assis.

Dali para a frente o Santo que começou a dar fruto, começou a frutificar cada vez mais e tal foi o fruto de Francisco de Assis que contagiou uma multidão, uma multidão enorme de jovens e moças na Europa que quiseram se dedicar totalmente a Deus e se entregar a Deus. Hoje em dia quando nós falamos de São Francisco, muita gente quer falar de um Francisco amante da natureza, um Francisco ecológico, no entanto, ele foi um crucificado, ou seja, um homem que se configurou a Cristo até o ponto que as chagas do Cristo lhe foram impressas na carne.

Nós quando vemos aquele cântico das criaturas, o irmão sol, irmã luz, etc e tal, pensamos num São Francisco de Zeffirelli, andando numa campina verdejante da Úmbria, ensolarada. Na verdade, Francisco quando compôs aquele hino, estava completamente destruído fisicamente, chagado, cego, com um reumatismo, febres terríveis, às portas da morte.

E, no entanto, com a fé ele consegue ver a beleza da criação como um amor imenso de Deus por nós porque somente no Cristo crucificado é que nós temos a chave de leitura do amor com que Deus nos amou. Sim, porque Ele não somente nos criou, Ele nos redimiu.

Não basta termos sido criados, é importante sermos levados a um amor, a um amor superior, somente assim, se nós abraçarmos o Cristo iremos frutificar como uma boa semente sabe frutificar quando cai em terra boa.

Deus abençoe você.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Acima, texto transcrito do vídeo:


Abaixo, texto do site:


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 8, 4-15)

Naquele tempo, reuniu-se uma grande multidão, e de todas as cidades iam ter com Jesus. Então ele contou esta parábola:

"O semeador saiu para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada e os pássaros do céu a comeram. Outra parte caiu sobre pedras; brotou e secou, porque não havia umidade. Outra parte caiu no meio de espinhos; os espinhos cresceram juntos, e a sufocaram. Outra parte caiu em terra boa; brotou e deu fruto, cem por um". Dizendo isso, Jesus exclamou: "Quem tem ouvidos para ouvir ouça".

Os discípulos lhe perguntaram o significado dessa parábola. Jesus respondeu:

"A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus. Mas aos outros, só por meio de parábolas, para que olhando não vejam, e ouvindo não compreendam. A parábola quer dizer o seguinte: A semente é a Palavra de Deus. Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouviram, mas, depois, vem o diabo e tira a Palavra do coração deles, para que não acreditem e não se salvem. Os que estão sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolhem a Palavra com alegria. Mas eles não têm raiz: por um momento acreditam; mas na hora da tentação voltam atrás. 

Aquilo que caiu entre os espinhos são os que ouvem, mas, com o passar do tempo são sufocados pelas preocupações, pela riqueza e pelos prazeres da vida, e não chegam a amadurecer. E o que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a Palavra, e dão fruto na perseverança".

Cristo crucificado é a expressão visível do amor que Deus tem por nós. E não só expressão, mas também modelo a que nos devemos configurar se queremos de fato abrir-nos à ação deste divino amor. Porque, com efeito, é por meio da dor e do sofrimento que o Senhor determinou redimir o homem e é, portanto, unindo-se ao sacrifício que Ele fez de si sobre o Calvário, renovado todos os dias sobre os nossos altares, que o homem se abre à possibilidade de participar um dia da alegria pascal da Ressurreição. "Por isso", escreve o Apóstolo à igreja de Colossos, "alegro-me com os sofrimentos que suporto por vossa causa" (Col 1, 24), pois por causa deles me associo ao sofrimento redentor de Jesus e, por essa razão, me fortifico na esperança de que Aquele que O ressuscitou dos mortos também há de ressuscitar-nos a nós (cf. 2Cor 4, 14). 

Os cristãos, se pretendemos ser fiéis seguidores de Cristo, temos de aprender a cada dia a tomar a nossa cruz e, vencendo os queixumes tipicamente humanos acerca do "porquê" de nossas provações, aproveitar a graça extraordinária que se esconde por trás de toda e qualquer contrariedade (cf. João Paulo II, Carta Apostólica "Salvifici Doloris", n. 26). Peçamos, pois, à Virgem das Dores, cuja memória há pouco celebramos, que nos aproxime interiormente do seu Filho e, por meio do sofrimento que salva e renova, nos faça, nEle e por Ele, homens novos e capazes de amar.


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Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências:
https://padrepauloricardo.org/episodios/as-chagas-de-sao-francisco-de-assis