23/09/2016

Cremos em Cristo crucificado - HD334 - Sexta-feira da 25.ª Semana do Tempo Comum (P)

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Meus queridos irmãos e irmãs, neste ano em que nós celebramos no dia de hoje a festa de São Pio de Pietrelcina a Igreja proclama, coincidentemente, o evangelho da profissão de fé de São Pedro. O que é que a figura de Padre Pio e a profissão de fé de São Pedro têm em comum? Bem, veja, São Pedro realmente teve fé, fé verdadeira, uma fé iluminada por Deus para compreender quem era o Cristo.

Só que esta fé precisava crescer e é exatamente aqui uma coisa que muito pouca gente percebe, a nossa fé precisa crescer porque é ela, é a fé que vai criar dentro de nós um espaço para a caridade, para o amor a Cristo, para um amor incendiado, para um amor abrasador, o que faz com que nós nos entreguemos a Cristo de tal forma que nós possamos dizer, como São Paulo diz na Carta aos Gálatas: "Vivo, mas já não sou mais eu, é o Cristo que vive em mim", Jesus recebe a profissão de fé de São Pedro, mas logo em seguida fala de sua Paixão, fala do seu sacrifício de amor e São Pedro rejeita essa ideia. E exatamente aí nós vemos uma fé que não se aprofundou.

Pedro irá crescer nessa fé, irá crescendo, irá crescendo de fé em fé, até que finalmente ele irá se entregar a Deus completamente sendo crucificado em Roma, configurado ao Cristo. Esta é a realidade que nós vemos em todos os santos. O Padre Pio foi um sacerdote escolhido por Deus no século XX, num tempo em que a Igreja vive tantas tribulações para recordar a nós, sacerdotes, também a todo o povo fiel cristão que não existe verdadeira fé e não existe verdadeiro amor a Cristo que não seja uma profunda configuração ao Cristo crucificado.

Os estigmas do Padre Pio, aquelas chagas dolorosas que ele carregou durante cinquenta anos não são uma realidade simplesmente psicológica, parapsicologia, são um dos de Deus para a Igreja inteira que nos recorda uma verdade que todos devemos viver. Sim, nós não receberemos os estigmas marcados em nossas mãos, mas nós precisamos tê-los invisíveis no nosso coração sobretudo, porque precisamos morrer com Cristo se com Ele queremos ressuscitar.

São Pedro crê, professa a sua fé, ele aceita que Jesus é o Cristo, mas ele não aceita que o Cristo seja de um jeito diferente do seu pensar. A primeira coisa que nós precisamos crucificar para seguir Nosso Senhor é crucificar nossas ideias, crucificar nossos preconceitos de dizer "Não, Deus não vai por aí, Deus não vai pela cruz porque Deus é o Deus bonzinho". Não, gente, nós temos que aceitar o caminho como Deus o revelou, quem de nós salvaria a humanidade através da cruz?

Nós, certamente, escolheríamos o caminho mais indolor, menos trabalhoso e, no entanto, foi através das suas chagas que nós fomos curados. Por isso, as chagas de Cristo no Padre Pio e no seu coração são, na verdade, remédio, remédio de vida nova, remédio de uma vida que sabe transfigurar a dor em amor. Saibamos bem abraçar a Cruz de Cristo porque se não abraçarmos o Cristo com a Cruz terminaremos com a cruz sem Cristo. Nós abraçamos o Cristo com a Cruz amorosamente e toda esta dor será transformada em amor e amor que salva e redime a humanidade.

Deus abençoe você.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Acima, texto transcrito do vídeo:


Abaixo, texto do site:


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 9, 18-22)

Aconteceu que Jesus estava rezando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou-lhes: "Quem diz o povo que eu sou?" Eles responderam: "Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou".

Mas Jesus perguntou: "E vós, quem dizeis que eu sou?" Pedro respondeu: "O Cristo de Deus". Mas Jesus proibiu-lhes severamente que contassem isso a alguém.

E acrescentou: "O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia".


Celebrando hoje a memória de São Pio de Pietrelcina, a Igreja proclama em sua Liturgia o evangelho da profissão de fé de São Pedro. Adiantando-se aos apóstolos à cuja frente fora colocado, Simão confessa com firmeza o que pensa a respeito do Senhor: vós sois, diz-Lhe, o "Cristo de Deus". Apesar de sincera, esta fé — fruto não da carne nem do sangue, mas dom do Deus altíssimo — ainda precisava amadurecer. Com efeito, Pedro reconhece em Jesus o Messias anunciado, mas rechaça a forma com que Ele irá restituir Israel à sua antiga glória: "O Filho do Homem deve sofrer muito" e, desprezado por todos, "ser morto e ressuscitar ao terceiro dia".

Ao revelar-nos seu projeto de salvação, desafio não só para as expectativas dos judeus de sua época, mas também para as dos homens de todos os tempos e lugares, Jesus exige que a fé que nEle depositamos esteja em constante crescimento pela rejeição de nossas pré-concepções sobre o que achamos que Ele "deve" ou não fazer, pela submissão humilde de nossa inteligência e vontade às suas decisões, pela conformidade de nossa vida à sua etc. Temos, sim, de crer em Cristo, mas em Cristo crucificado, não num Cristo — produto de fantasias e indolências humanas — avesso a dor, ao sofrimento, ao desprezo do mundo.

Será justamente à hora de enfrentar o martírio que Pedro dará mostras de ter uma fé na plenitude de sua madureza, uma fé trabalhada e burilada em pregações e rejeições, em sacrifícios e encarceramentos. É pois pregado a uma cruz, morrendo de maneira semelhante a seu Mestre, que se cumprirá em Simão a oração que por ele fizera o Senhor: "Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça" (Lc 22, 32). Não desfaleceu; antes, cresceu como a maior das hortaliças, a cobrir com sua sombra toda a Igreja de Cristo. 

Peçamos hoje a Nosso Senhor que imprima suas chagas redentoras em nossos corações, de maneira que possamos ver nas cruzes que dia após dias temos de suportar o remédio salutar para o nosso egoísmo, o alimento de nossa fé, o combustível do nosso amor, os degraus de nossa subida até o Céu. Que São Pio de Pietrelcina, sob cujo patrocínio nos dedicamos a este apostolado, nos ajude, com seu exemplo e intercessão, a configurar-nos intimamente ao Deus que do sofrimento faz nascer alegria, que pela morte trouxe a verdadeira vida aos homens.

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Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências:
https://padrepauloricardo.org/episodios/cremos-em-cristo-crucificado