24/09/2016

O fratricídio da Cruz - HD335 - Sábado da 25.ª Semana do Tempo Comum (P)

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Meus queridos irmãos e irmãs, no evangelho de hoje Jesus anuncia pela segunda vez a sua Paixão e a formulação que nós encontramos no evangelho é a seguinte: "O Filho do Homem será entregue aos homens", ou seja, é o irmão que é entregue aos irmãos.

Como não nos recordarmos aqui dos dramas de tantos irmãos e de tantos fratricídios ao longo da história, ou seja, irmão que mata irmão. Desde Caim e Abel até José do Egito que foi entregue pelos seus irmãos, numa espécie de morte aparente, eles fizeram uma farsa da sua morte para apresentar a sua roupa dilacerada ao pai porque não tiveram coragem suficiente de matá-lo, mas queriam matá-lo. Pois bem, estes irmãos invejosos que matam o irmão, sem perceber estavam, na realidade, fazendo para si um caminho de salvação.

Quando no fim de toda história, depois que José se tornou vice-rei do Egito e todos passagem fome, esses irmãos vão até o vice-rei para pedir ajuda, José sabe ler e interpretar aquela tragédia toda à luz da providência divina, diz: "Eu sou José, a quem vocês venderam como escravo, mas, não se preocupem porque tudo isso serviu para a vossa salvação". José é, na verdade, uma figura do Cristo que viria. Os fariseus, judeus, fratricidas, invejosos não iam acolher Jesus.

Jesus é o bem amado de Deus, assim como José era o predileto de Jacó, Jesus, mais do que tudo, é o predileto e o bem amado de Deus. O povo não saberá reconhecer este amor, esse amor enlevado de Deus pelo Seu Filho e não saberá sobretudo reconhecer no fato que Jesus, amado infinitamente pelo Pai, não é amado para o nosso prejuízo, pelo contrário, é amado para a nossa salvação.

Vejam, aqui Jesus está prevendo a sua morte e prevendo uma realidade que nós temos muita dificuldade de enxergar, enxergar a presença de Deus tanto na luz como na sombra. Os fariseus, os judeus, tiveram dificuldade de enxergar a presença de Deus quando o Cristo, fazedor de milagres, grande pregador, grande amado de Deus, quando Deus mostrou todo o seu amor pelo Cristo de uma forma luminosa e maravilhosa, eles não souberam enxergar o Cristo na luz, muito menos souberam enxergar o Cristo quando veio a noite, quando o Cristo então entregue nas mãos hostis dos seus inimigos morreu e morreu de forma tão escandalosa, de forma tão terrível, aparentemente abandonado pelo Deus que antes havia declarado que Ele era o amado, o querido.

Mas havia ali, naquela miséria, havia ali naquele momento de terror uma presença divina, uma ação divina salvífica que nós precisamos estar preparados para enxergar também. Peçamos a Deus, Nosso Senhor, que nos dê fé para enxergarmos a Sua presença nos momentos luminosos e nos momentos tenebrosos da nossa vida. Que nós saibamos verdadeiramente enxergar a presença de Deus e o amor de Deus quando a túnica de José é presenteada pelo pai Jacó, uma túnica toda especial e bonita e saibamos também encontrar a presença de Deus quando a túnica de José dilacerada pelas feras é apresentado como morto. Saibamos ver a presença de Deus no cristo luminoso no Tabor, no Cristo desfigurado no Calvário e assim saberemos qual é o caminho de Deus e não nos escandalizaremos.

Esteja pronto, você, para enxergar a Deus seja de dia, seja de noite, seja na luz, seja nas trevas.

Deus abençoe você.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Acima, texto transcrito do vídeo:


Abaixo, texto do site:


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 9, 43b-45)

Naquele tempo, todos estavam admirados com todas as coisas que Jesus fazia. Então Jesus disse a seus discípulos: "Prestai bem atenção às palavras que vou dizer: O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens". Mas os discípulos não compreenderam o que Jesus dizia. O sentido lhes ficava escondido, de modo que não podiam entender; e eles tinham medo de fazer perguntas sobre o assunto.

"O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens". Ao predizer com estas palavras a sua morte, Jesus ressalta o caráter fratricida do holocausto que, por meio dos chefes do povo, Ele fará de si no madeiro da Cruz. Aquele que, sendo Deus altíssimo, se rebaixou à condição humana, decide morrer pelas mãos daqueles mesmos que viera salvar. Assim como José, tipo de Cristo, foi maltratado por seus irmãos, aos quais, feito já chefe de todo o Egito, viria em auxílio, assim também o Senhor, sofrendo e perecendo nas mãos hostis dos que se fizerem inimigos seus, traria a salvação para o gênero humano. 

Assim pois como José, o mais querido dos filhos de Jacó, foi tido como morto, para depois ser descoberto numa glória inaudita, assim também Jesus, Filho bem-amado do Pai, foi verdadeiramente morto e sepultado, para depois ressurgir na glória da Ressurreição. Peçamos hoje a Nosso Senhor que nos dê fé, a fim de sabermos enxergar, tanto na esplendor do Tabor — nas alegrias e sucessos da vida — quanto na desfiguração do Calvário — nas dores e cruzes desta nossa peregrinação —, o amor que o Pai eterno Lhe tem e, por Ele, a nós, seus filhos adotivos.




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Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências:
https://padrepauloricardo.org/episodios/o-fratricidio-da-cruz