28/09/2016

O Pão dos que peregrinam neste mundo - HD338 - Quarta-feira da 26.ª Semana do Tempo Comum

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Meus queridos irmãos, no evangelho de ontem, Jesus tomou a firme decisão de ir para Jerusalém. Agora as pessoas querem seguir. Logo de início, nós vemos com toda a clareza que existe uma consequência, existe um preço. As aves têm os seus ninhos, as raposas têm suas tocas, mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. Eis aqui a consequência principal de nós resolvermos seguir Jesus.

Quando nós resolvemos seguir Jesus, nós nos tornamos estrangeiros, peregrinos, neste mundo. É isso que significa o conceito de paróquia. Você, católico, você que freqüenta uma paróquia, você que é paroquiano, de onde vem essa paróquia? Paróquia, vem do grego, "paroikia", que quer dizer, um acampamento de peregrinos. Exatamente essa é a ideia, de que nós somos peregrinos nesse mundo, nós somos a Igreja peregrina, quer dizer que não temos aqui a nossa pátria.

Existe na linguagem cristã, a tradição de chamar o seu de Pátria com p maiúsculo. Na pátria nós estaremos no nosso lugar, na pátria nós encontramos o lugar do nosso repouso. Aqui, por enquanto, somos peregrinos, mas na Santa Missa, todos os dias, na Eucaristia, quando nós recebemos a comunhão, nós temos uma ali uma mistura dessas duas coisas. Sim, nós ainda estamos nesse lugar de peregrinação, mas na Missa nós temos uma pequena experiência da Pátria. É por isso que nós, na eucaristia, recebemos o pão dos peregrinos, o pão dos viandantes. Você vai se lembrar, que, quando o povo de Israel saiu do Egito, eles precisavam levar pão, mas não tiveram tempo, de fermentar aquele pão. Levaram pães ázimos, que é exatamente o pão, com o qual são feitas as nossas Hóstias, com o qual nós comungamos, é um pão de peregrinos, um pão que resiste mais ao tempo. Porque o pão com fermento, tende a perecer, estragar. Já o pão ázimo, é mais duro, mais resistente ao tempo.

Com isto, você vê que, Santa Missa, você encontra então, embora esteja peregrinando pelo mundo, embora você esteja fora de casa, embora você não tenha onde reclinar a cabeça, na Santa Missa, você encontra ali um alimento, um alimento da Pátria, um alimento do Céu. O lugar onde você pode se fortalecer e refazer suas forças para continuar esta caminhada.

Embora o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça, na Santa Missa, nós encontramos sim, um lugar para reclinar a nossa cabeça, porque como na última ceia, São João teve a possibilidade de reclinar a sua cabeça no peito de Jesus, em cada Missa, em cada comunhão, nós podemos fazer o mesmo. Nós podemos reclinar a nossa cabeça no peito de Cristo, e ali sentir, as pulsações do seu coração e do seu amor, ali recebemos a graça, a força, a coragem, e não somente isso, o amor que nos alimenta, e que faz com que nós continuemos nessa peregrinação, desejando a Pátria Celeste.

Um dia nós iremos nos encontrar com esse mesmo Cristo, face a face. Um dia vai acontecer verdadeiramente este banquete nupcial, este casamento entre a humanidade o Cristo. Um dia, nós estaremos em casa, e aí sim, não seremos mais peregrinos.

Que Deus abençoe você.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Acima, texto transcrito do vídeo:


Abaixo, texto do site:



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
( Lc 9, 57-62)

Naquele tempo, enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam, alguém na estrada disse a Jesus: "Eu te seguirei para onde quer que fores".

Jesus lhe respondeu: "As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça". Jesus disse a outro: "Segue-me". Este respondeu: "Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai". Jesus respondeu: "Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus". Um outro ainda lhe disse: "Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares". Jesus, porém, respondeu-lhe: "Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus".

No Evangelho de hoje, Cristo diz, a todos que O querem seguir, que "as raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça". Os discípulos do Senhor não têm em lugar algum a sua morada definitiva, como lembra a famosa e antiga "Epístola a Diogneto"; habitam este mundo na condição de peregrinos e, embora tendo os pés no chão, conservam seus olhos voltados para o alto, que é onde se encontra a sua verdadeira Pátria.

Colocando essa verdade, porém, à luz do mistério que celebramos em toda Santa Missa, não é verdade que os cristãos não possuam, em absoluto, um lugar no qual reclinar a cabeça. No sacramento da Comunhão, o Senhor quis ficar perpetuamente conosco, dando-nos a graça de repetir a experiência do apóstolo São João, que deitou a cabeça em seu peito e recebeu de sua humanidade santíssima a virtude para amá-lO e segui-lO até o fim de seus dias.

Figurada nos pães ázimos do Antigo Testamento, com os quais os israelitas, fugindo da escravidão no Egito, saíram em peregrinação rumo à terra prometida pelo Senhor, a Eucaristia é esse alimento celeste que, de fato, refaz as nossas forças e nos impulsiona a buscar, com coragem e fervor sempre renovados, o Reino que Cristo já conquistou para nós com o seu sangue derramado na Cruz. Peçamos a Ele que nos dê a graça de comungar bem, preparando o nosso coração para o banquete definitivo que acontecerá na Pátria — o único após o qual, contemplando face a face Quem recebemos sob o véu do sacramento, seremos perfeitamente saciados.

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Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências:
https://padrepauloricardo.org/episodios/o-pao-dos-que-peregrinam-neste-mundo