08/10/2016

A bem-aventurança da Virgem Maria - HD347 - Sábado da 27.ª Semana do Tempo Comum (P)

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Meus queridos irmãos e irmãs, no evangelho de hoje uma mulher dirige um louvor à Virgem Maria como "bem-aventurada", por ela ser aquela que gerou e amamentou o Cristo. E Jesus corrige dizendo: "Muito mais bem-aventurado é aquele que ouve a Palavra e coloca em prática". O que é que este evangelho então nos ensina a respeito da Virgem Maria?

Bom, em primeiro lugar, vamos nos recordar que nós estamos num sábado e o sábado é sempre o dia que a Igreja reflete e honra a Virgem Santíssima e neste sábado que nós aqui podemos aprender da Igreja exatamente o fato de que a Virgem Maria foi muito mais feliz por ter concebido ao Cristo no coração do que por ter concebido o Cristo no ventre. Isso que eu acabo de dizer é uma frase adaptada de Santo Agostinho, por quê? Porque, de fato, de nada adiantaria a Virgem Maria ter concebido no ventre se ela não tivesse um coração, exatamente um coração que escutou a Palavra de Deus, é o primado da vida espiritual sobre a realidade física e carnal.

Vejam, no Antigo Testamento Deus escolheu um povo, este povo, evidente, era um povo de descendência física, hermeticamente as pessoas são pertencentes a esse povo. O que quer dizer na prática é o seguinte: ninguém se converte ao judaísmo, as pessoas nascem no judaísmo, ou seja, trata-se de uma raça que ao mesmo tempo é também religião, é são os descendentes de Abraão. No entanto, com Jesus, Jesus quis alargar a descendência de Abraão exatamente cumprindo a profecia de que Abraão teria uma descendência numerosa como as estrelas do céu.

Mas essa descendência numerosa como as estrelas do céu não podia ser uma descendência física, genética, de sangue, mas é a descendência da fé e é por isso que nós chamamos Abraão de nosso pai na fé porque ele foi o primeiro quem acreditou, mas embora Abraão tenha sido o primeiro a seguir Deus na fé, ele não foi o que teve a maior fé, nós sabemos que de todos os santos e santas da história da salvação, a maior fé existia no coração da Virgem Santíssima, ela foi a agraciada, ela é que, de fato, foi escolhida por Deus e desde o ventre materno já recebeu quantidade de graça maior que a de todos os santos e todos os anjos.

E ela então foi crescendo, crescendo espiritualmente, de fé em fé, de fé em fé, até que finalmente o anjo a visitou. Nós vemos então o ato de fé da Virgem Maria de acolher a Palavra de Deus e de gerar o Cristo na fé, por isso Santo Agostinho nos recorda: "antes de conceber no ventre, ela concebeu na alma", eis aí a grandeza da Virgem Maria.

Mas não para por aí, o seu ato de fé irá até o heroísmo, o heroísmo de acompanhar o seu Filho no sacrifício do calvário. É por isso que a Igreja chama a Virgem Maria também de Co-redentora, por quê? Porque Jesus ofereceu no calvário o sacrifício perfeitíssimo, mas havia uma coisa que Jesus não podia oferecer: o sacrifício da fé, por quê? Porque Jesus é Deus, Ele não tinha fé, então, fica até estranho dizer que Jesus não tinha fé, como se fosse um defeito, é que na verdade, Ele sendo Deus, Ele tinha o contato direito com Deus, nós pela fé temos um contato indireto, então, o maior sacrifício, o sacrifício da fé daquela que ouviu a Palavra de Deus e disse: "Faça-se" aconteceu no calvário, a maior fé, a fé mais extraordinária que saiu do coração da Virgem Maria.

Que ela então, neste sábado queira nos agraciar dando a nós uma fé como a sua para que possamos também nós louvar a Deus num sacrifício de fé.

Deus abençoe você.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Acima, texto transcrito do vídeo:

Abaixo, texto do site:



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 11, 27-28)

Naquele tempo: Enquanto Jesus falava, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e lhe disse: 'Feliz o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram.' Jesus respondeu: 'Muito mais felizes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática'.

Perante o louvor que se ergue da multidão, longe de desmerecer quem O gerou em seu ventre e O amamentou em seus seios, o Senhor revela por que é realmente bem-aventurada aquela que escolheu por Mãe desde toda a eternidade, dizendo: muito mais feliz é quem ouve a palavra de Deus e a põe em prática. De fato, diante do Anjo anunciante, a Virgem primeiro ouve e crê, depois concebe; com fé plena, concebe primeiro na alma, motivo pelo qual ela é deveras mais feliz — ensina Santo Agostinho (Cf. Sermo 196: PL 38, 1019; Sermo 215, 4: PL 38, 1074; De sancta virginitate, III, 3: PL 40, 397).

Ainda que a Anunciação seja já suficiente para dar provas de sua tão excelsa bem-aventurança — pois com fé ouve e acolhe o Verbo de Deus —, foi diante da Cruz de seu divino Filho que a Virgem Corredentora ofereceu um ato de fé ainda maior, um que jamais existiu em criatura alguma, unido à mais firme esperança e ardente caridade. Portanto, embora Abraão seja nosso pai na fé (Rm 4, 11.18; Tg 2, 21), a maior fé foi a de Maria, de quem a graça inicial, recebida de Deus ainda no ventre de Sant'Ana, era já maior que a de todos os anjos e santos e não parou de crescer até sua assunção ao Céu. Sim, ela é a cheia de graça (Lc 1, 28). 

Por isso, neste sábado, peçamos à Santíssima Virgem Maria, de quem somos descendentes (Gn 3, 15; Jo 19, 26-27; Ap 12, 17), assim como o somos de Abraão, que nos alcance de Deus a graça de uma fé semelhante a sua, para a maior glória de Deus.


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Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências:
https://padrepauloricardo.org/episodios/a-bem-aventuranca-da-virgem-maria