05/10/2016

Confiança filial em Deus - HD344 - Quarta-feira da 27.ª Semana do Tempo Comum (P)

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Meus queridos irmãos e irmãs, nós hoje celebramos a memória da santa que mais propagou a Divina Misericórdia, Santa Faustina Kowalska e o evangelho é o evangelho de São Lucas onde Jesus nos ensina a rezar, nos ensina o Pai Nosso. Vejam, é interessante nós notarmos, recordamos sempre que o evangelista São Lucas faz questão de apresentar Jesus como um orante. Durante nove vezes no evangelho de São Lucas Jesus é apresentado em oração e apresentado nos momentos mais solenes, nos momentos mais importantes. Jesus é batizado em oração, Jesus escolhe os apóstolos, após uma noite de oração, Jesus lá no Horto das Oliveiras reza, na Cruz Ele morre rezando, mas aqui Jesus, ao rezar atrai os apóstolos à oração.

Como deveria ser Jesus que rezava? Ou seja, Ele é Deus, Ele é Deus que se fez homem para nos ensinar a sermos humanos e ser humano é viver totalmente para Deus, é viver totalmente para o Pai, é estar voltado para o Pai, tanto que o evangelho de São Lucas nos apresenta Jesus que está lá na primeira cena, na primeira palavra pronunciada por Jesus no Templo aos 12 anos de idade: "Não sabeis que devo cuidar das coisas do meu Pai?" e a última palavra de Jesus lá no Calvário: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito", é uma inclusão, ou seja, tudo que Jesus tem para nos dizer Ele começa com o Pai e termina com o Pai. E aqui ele nos ensina o Pai Nosso, a chamar Deus de Pai. É interessante a simplicidade com que ele nos ensina o Pai Nosso. O Pai de Nosso de São Lucas não tem o "nosso", é simplesmente "pai", ou seja, essa realidade do filho que se joga nos braços do Pai de bondade, essa confiança total.

Jesus nos ensina a reza o Pai Nosso aqui, com que alegria, com que fulgor no olhar, Jesus não se voltava para este Pai, mesmo no momento da dor Ele está lá na Cruz, jogado nos braços deste Pai confiando com uma confiança infinita. É assim que Jesus nos ensina a sermos humanos. Santa Faustina Kowalska, apóstola da Divina Misericórdia, também tem uma mensagem de confiança na misericórdia. Jesus, que conversava com ela, ensinava insistentemente o quanto Ele queria que as pessoas confiassem na sua misericórdia, o quanto desagradava ao Seu Coração que as pessoas duvidassem da sua misericórdia.

É a mesma atitude que Ele tinha para com o Pai, agora Ele quer ensinar para nós através de Santa Faustina. Deu para ver o paralelo? Ou seja, no evangelho, Jesus tem um relacionamento de amor e de entrega ao Pai misericordioso e Ele quer nos ensinar através da oração. Na vida de Santa Faustina a mesma realidade, Ele quer que nós tenhamos esta confiança no amor misericordioso de Deus, por quê? Porque Ele, Jesus, é a Misericórdia Encarnada, Ele é o rosto da Misericórdia de Deus que vem a este mundo e vem exatamente para que nós, vendo com que amor Ele nos amou na Cruz, nós possamos confiar e confiar sempre na Divina Misericórdia.

Que hoje nesta festa de Santa Faustina, nesta alegria do céu de celebrarmos esta apóstola da Divina Misericórdia, nós também aprendamos com o Cristo a nos jogar nos braços do Pai misericordioso como o filho pródigo, que é também uma parábola de São Lucas, se jogou nos braços do pai, confiante, totalmente confiante.

Que Deus abençoe você.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.



Acima, texto transcrito do vídeo:


Abaixo, texto do site:


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 11, 1-4)

Um dia, Jesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: "Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos". Jesus respondeu: "Quando rezardes, dizei: 'Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação'".

As primeiras palavras que os Evangelhos põem nos santos lábios de Nosso Senhor são essas: "Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?" (Lc 2, 49); ao falar-nos pois pela primeira vez, não nos fala doutra coisa senão do Pai. E é justamente sobre o Pai que nos há de falar quando, à hora derradeira, der o seu último suspiro do alto do Madeiro: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23, 46). 

Pois a vida do Salvador foi uma vida inteiramente entregue e dedicada a Deus, vida que nós, discípulos seus, devemos esforçar-nos por imitar, sobretudo por meio da oração que o mesmo Redentor hoje nos ensina: o "Pai-nosso". O Senhor quer, com efeito, que aprendamos pela oração a ter com Deus o mesmo relacionamento que há entre Ele e Aquele que o gerou: relacionamento de confiança, de amor, de doação. Peçamos hoje, memória de Santa Faustina Kowalska, apóstola da Divina Misericórdia, que Cristo Jesus nos dê a confiança de verdadeiros filhos do Altíssimo, a fim de podermos jogar-nos o quanto antes nos braços amorosos do nosso tão amado Deus-Pai.

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Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências:
https://padrepauloricardo.org/episodios/confianca-filial-em-deus