04/10/2016

Memória de São Francisco de Assis - HD343

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Meus queridos irmãos, celebramos hoje a memória de São Francisco de Assis, o santo extraordinário que foi uma aplicação muito concreta na vida do evangelho de hoje. O evangelho de hoje é o evangelho em que Jesus, na casa de Marta e de Maria, é servido por Marta, a agitada Marta nas suas panelas, é também acolhida por Maria, a contemplativa. E Jesus olha para Marta e diz: "Marta, Marta, tu te agitas e te inquietas por muitas coisas, uma só coisa é necessária e Maria escolheu a melhor parte".

São Francisco de Assis é uma aplicação histórica concreta deste encontro com o Cristo, onde a pessoa vendo o Cristo único necessário e se encanta por esta pobreza, ou seja, quando nós nos desapegamos de tudo nesta vida, vivemos uma pobreza, uma pobreza material e, ao mesmo tempo, sentimos uma pobreza espiritual que é esta sede de Cristo, esta vontade de estar com Ele, estar aos pés Dele como ali Maria está contemplativa aos pés de Cristo. Isto era São Francisco de Assis. São Francisco de Assis era um jovem que vivia agitado nas coisas do mundo, vivia agitado com seus projeto intra-mundanos. A sociedade européia na época de Francisco de Assis, era uma sociedade que estava vendo um certo crescimento econômico porque estava surgindo ali uma pequena burguesia, estavam circulando as mercadorias mais, estamos num período, digamos assim, de ouro da Idade Média, mas tinha também muitas desigualdades sociais e muita pobreza.

Francisco era desta burguesia e ele que pensava como era o sonho de todo filho de burguês de ser nobre, ou seja, ser cavaleiro para ser erguido à nobreza, ele se aventura numa guerra. Termina prisioneiro. Aquela frustração faz com que se encontre com Jesus na prisão de Perugia. Nós não sabemos exatamente o que aconteceu, aquele desastre pessoal para Francisco.

O fato é que ele volta diferente, começa a entender que Jesus é o único necessário, começa a olhar para vida e ver que a vida é supérflua e que as coisas que antes para ele eram um sonho tornava-se uma agitação inútil. Por isto, esta vontade de Francisco de Assis de viver o evangelho "sine glosa", o evangelho sem adaptações, o evangelho da radicalidade.

Algumas pessoas ficam chocadas com a radicalidade de Francisco, afinal das contas, nós estamos num tempo moderno, em que nós estamos bem dispostos a fazer concessões ao mundo, de adaptar o nosso cristianismo a uma espécie de comodidade burguesa, um "Jesuzinho"que não faz mal a ninguém e que não exige de mim nenhuma mudança, afinal, Jesus é tão bonzinho, não é verdade? São Francisco de Assis sabe que Jesus não é "bonzinho", Jesus é o Amor, por isso, ele chora com o seu coração dilacerado, com as suas mãos chagadas, com o seu coração transpassado, ele chora e diz: "O Amor não é amado", o Amor não é amado e amar este Amor é o único necessário.

Que nós, então, sejamos como Francisco: pobres de espírito, ou seja, desapegados desse mundo, sintamos uma pobreza espiritual de quem quer mais, quer mais, quer mais, quer mais, até finalmente ser saciados com o Cristo, o único necessário. Saibamos com São Francisco levar as pessoas para este Amor único necessário.

Deus abençoe você.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Acima, texto transcrito do vídeo:


Abaixo, texto do site:



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 10, 38-42)

Naquele tempo, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: "Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!" O Senhor, porém, lhe respondeu: "Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada".

Ao nos desapegarmos das riquezas deste mundo por amor a Deus, passamos a sentir-nos como os pobres de espírito que efetivamente somos. Pois é quando descobrimos que Cristo é e sempre será o nosso único necessário que começamos a querer estar com Ele, a ter sede e fome de sua companhia e de seus dons espirituais. De Martas agitadas, metidas entre panelas e preocupações, transformamo-nos em Marias, que se comprazem em, sem dizer palavra, estar aos pés do Senhor.

Foi o que sucedeu, de forma bastante concreta e expressiva, com São Francisco de Assis, cuja memória temos hoje a alegria de celebrar. Jovem ambicioso e mundano, Francisco deu-se conta de que todos os bens que este desterro lhe poderia proporcionar, longe de serem fonte de consolação, eram antes motivos de agitação, de preocupação desnecessária. 

Decidido pois a viver o Evangelho em sua pureza — sine glossa —, Francisco deixou tudo para entregar-se inteiramente a Cristo; abandonou, assim, o "amor" das criaturas para corresponder ao amor dAquele amado tão ingratamente desprezado e esquecido pelo coração dos homens. Invoquemos hoje a intercessão do santo poverello de Assis e peçamos-lhe que nos alcance do Senhor a graça de, pondo de lado as vaidades do mundo, termos o coração e a vontade repousados nEle, o único necessário de nossas almas sedentas de amor e verdade.


-------

Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências:
https://padrepauloricardo.org/episodios/memoria-de-sao-francisco-de-assis