03/10/2016

O Bom Samaritano - HD342 - Segunda-feira da 27.ª Semana do Tempo Comum (P)

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Meus queridos irmãos, nós hoje proclamamos o evangelho da extraordinária parábola do Bom Samaritano. A Igreja sempre interpretou esta parábola não somente no sentido moral, mas também no sentido de uma profissão de fé. No sentido moral é evidente: Jesus está nos ensinando que nós precisamos amar o nosso próximo, ou seja, nós, embora tenhamos pessoas que estão longe de nós como o samaritano e o judeu eram distantes por razões culturais e cultuais, pois bem, nós podemos nos fazer próximo do outro e amar o próximo. Esse é o sentido moral desta parábola.

Mas existe um outro sentido: o sentido do mistério da fé, onde o bom samaritano é Jesus em pessoa, ou seja, é o Filho de Deus que se fez homem e veio a este mundo. E Ele veio para buscar a humanidade extraviada, ou seja, a humanidade que decaída, como aquele homem decaído na estrada que foi açoitada pelos demônios, como aquele homem recebeu as lesões físicas por causa dos assaltantes, agora essa humanidade é resgatada por Cristo.

Nosso Senhor toma a humanidade decaída e leva até o estalajadeiro, ou seja, até o dono daquele albergue, que simboliza a Igreja. é importante nós vermos que neste processo de misericórdia de Deus, Jesus nos apresenta, aplica nas nossas feridas vinho e azeite. Mas apresenta vinho e azeite na ordem contrária daquilo que se costuma aplicar, ou seja, na medicina antiga, você tem uma ferida, eles derramavam vinho na ferida porque o vinho contém álcool e aquilo desinfeta, e depois que você desinfeta, você coloca o azeite, porque aquele unguento protegia a ferida de tal forma que ela podia se refazer.

Na parábola do Bom Samaritano, Jesus faz o contrário, ou seja, aplica primeiro o azeite, primeiro aplica a unção, primeiro aplica a consolação, primeiro aplica o amor porque é assim que Deus faz, Ele atrai a humanidade com o Seu amor, com a Sua misericórdia, para somente depois aplicar o vinho, o vinho ardido, o vinho que mata os micróbios, o vinho que nos desfaz dos pecados, que nos purifica. É esse o nosso processo espiritual.

Mas é importante nós entendermos que esse processo não para por aí. É necessário também a vida da Igreja e na vida da Igreja, o Bom Samaritano que é Jesus deixa ali duas moedas, essas duas moedas que são entregues à Igreja são exatamente a vida dos sacramentos e as Sagradas Escrituras, a Palavra de Deus, é a partir dessas duas moedas, dessas duas heranças de Cristo, ou seja, a Palavra e o Sacramento, que nós iremos viver a nossa vida de Igreja, iremos nos recuperar, até o dia em que o Bom Samaritano irá voltar, Jesus volta para nos resgatar.

Vejam como as Sagradas Escrituras podem ser lidas nesses dois sentidos, ou seja, num sentido moral e num sentido de fé, os dois são importantes, mas é sobretudo importante nós entendermos que se nós ficarmos só com o sentido moral, a Bíblia pode se transformar num moralismo, onde de alguma forma é como se Deus estivesse exigindo de nós uma coisa que nós não somos capazes. É necessário lembrar que Deus pede de nós o amor, mas Ele também derrama a graça, derrama aquele unguento, derrama o óleo, derrama o Espírito Santo para nos dar a força de amar.

Deus abençoe você.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Acima, texto transcrito do vídeo:


Abaixo, texto do site:


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 10, 25-37)

Naquele tempo, um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: "Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?" Jesus lhe disse: "Que está escrito na Lei? Como lês?" Ele então respondeu: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e a teu próximo como a ti mesmo!" Jesus lhe disse: "Tu respondeste certamente. Faze isso e viverás".

Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: "E quem é o meu próximo?" Jesus respondeu: "Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto. Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. 

Depois colocou o homem no seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: "Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais". E Jesus perguntou: "Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?" Ele respondeu: "Aquele que usou de misericórdia para com ele". Então Jesus lhe disse: "Vai e faze a mesma coisa".

O Evangelho que a Igreja hoje proclama pode ser lido sob duas perspectivas fundamentais. De um ponto de vista moral, a parábola do bom samaritano nos diz como devemos agir e ser misericordiosos; o nosso próximo, com efeito, é não somente aquele com quem temos laços de sangue ou afinidades de qualquer outra ordem — de língua, de culto, de interesses etc. —, mas todo o que necessita de nossa ajuda, de um nosso conselho, do nosso amor. De um ponto de vistamístico, o bom samaritano é figura do próprio Jesus, pois é Ele que, descendo de Jerusalém — quer dizer, do Céu, de junto do Pai —, vem a Jericó e encontra, caída à beira do caminho, a humanidade ferida pelo pecado, subjugada pelo demônio, debilitada pela dor e pela doença, fadada à morte do corpo e da alma.

É, pois, o mesmo Cristo que vem em socorro do homem despojado da graça sobrenatural e, ao contrário do que fazia a medicina antiga, aplica nas chagas dele primeiro o azeite, o unguento do seu amor, das suas consolações, da sua paternal atenção; só depois nelas derrama o vinho ardente, que limpa e desinfeta as feridas que o pecado abriu em seu espírito. Por fim, leva-o até à pousada do estalajadeiro, símbolo da Igreja, à qual foram confiados os meios para nossa cura contínua espiritual — a Palavra de Deus e os Sacramentos —, aquelas "duas moedas de prata" a que alude a parábola.

Peçamos hoje ao Senhor que nos dê luz para penetrar nas riquezas inesgotáveis do seu Evangelho e nos dê a graça de reconhecermos, com humildade e espírito contrito, que precisamos ser continuamente curados por Ele e por seu amor misericordiosíssimo.



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Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências:
https://padrepauloricardo.org/episodios/o-bom-samaritano