06/10/2016

Perseverança na oração - HD345 - Quinta-feira da 27.ª Semana do Tempo Comum (P)

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Meus queridos irmãos, no evangelho de hoje Jesus nos ensina a rezar e a rezar com perseverança. Ele quer nos ensinar isso, veja, ontem vocês se recordam, Jesus nos ensinou o Pai Nosso. Primeiro Ele nos ensina com exemplo, Ele reza e Jesus, o próprio Jesus, Deus que se fez homem, reza perseverantemente, Ele está a todo momento rezando, agora, Ele depois de ensinar o Pai Nosso nos ensina que nós precisamos insistir: "Pedi e recebereis, batei e abrir-se-vos-á".

Não tenhamos medo de sermos inoportunos com Deus, insistentes, aquela pessoa chata, um chato que insiste, insiste, insiste e pede, mas o que é que nós precisamos pedir? Bom, a parábola ali, o amigo que bate na porta e insiste está pedindo um pão, nós temos um pão para pedir a Deus, assim como Jesus nos ensinou no Pai Nosso: "Pão de cada dia nos dai hoje", mas este pão é sobretudo um pão espiritual, ou seja, a graça de Deus.

Jesus conclui dizendo assim: "Se vocês que são maus - são pecadores - dão coisas boas aos filhos de vocês, quanto mais o Pai do céu não dará o Espírito Santo àqueles que pedirem". Então, qual é a conclusão que nós podemos tirar deste evangelho? Vejam só, Deus, Deus quer que nós sejamos família com Ele no céu, Ele é nosso pai, Ele quer que nós estejamos em profunda comunhão com Ele, que nós nos entreguemos a Ele e sejamos uma família totalmente unida, mas Ele não vai nos obrigar a isso.

Problema: para nós nos unirmos a Deus, nós seremos humanos, não damos conta, nós não conseguimos, nós precisamos do auxílio da graça, nós precisamos do Espírito Santo. E por que é que nós precisamos do Espírito Santo? Por uma lei básica e fundamental: tudo que se move é movido por alguma coisa.

O organismo animal é movido pelo prazer, nós temos um organismo animal, o organismo humano é movido pela verdade, nós temos um organismo humano, mas tanto o impulso animal como o impulso humano de busca da verdade, como por exemplo, os virtuosos filósofos da antiguidade, são suficientes para fazer com que nós sejamos unidos a Cristo, configurados a Ele, de tal forma que a gente possa chegar e dizer assim: "Eu vivo, mas não sou mais eu quem vivo, é o Cristo que vive em mim", possa olhar para o céu, movido pelo Espírito Santo e dizer assim: "Abba, Pai", isso é ser família de Deus, isso é fazer parte desta família trinitária, ou seja, o Espírito Santo vem, nos transforma no Cristo e nós podemos ir para o Pai.

Pois bem, tudo que se move é movido por alguma coisa, se o organismo animal não é capaz de me fazer filho de Deus, se o organismo humano não é capaz de me fazer filho de Deus, eu tenho um organismo sobrenatural, um organismo divino que está em mim que foi implantado no meu batismo, me fez filho de Deus e começou o processo de me transformar em filho de Deus, mas Deus não faz violência com ninguém, Ele quer você na vida de oração perseverante, constante, vá se abrindo aos suaves impulsos da graça. Deus não está no terremoto, não está no furacão, não está no fogo, como diz o Profeta Elias, Ele está na brisa suave.

Mas para a gente ser movido por esta brisa suave nós precisamos da perseverança constante, termos uma vida interior, uma vida íntima, de tal forma que a gente vai apagando os apelos do organismo animal, de tal forma que a gente possa, impulsionado pelo Espírito Santo e por Deus. Essa é a necessidade de uma vida de oração que seja perseverante. "Pedi e recebereis", nós precisamos do Espírito Santo, assim, comece, comece pedindo o quê? Fé, cada vez mais fé.

Quando a fé vai crescendo, o Espírito Santo vai realmente movendo você e aberto para Ele através da fé, porque o justo vive pela fé, você então poderá ser família de Deus no céu. Persevere, continue, peça, peça muita fé, todos os dias e se abra ao toque suave da graça.

Que Deus abençoe você.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Acima, texto transcrito do vídeo:


Abaixo, texto do site:



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc 11, 5-13)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: 'Amigo, empresta-me três pães, porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer', e se o outro responder lá de dentro: 'Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães'; eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário. Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede recebe; quem procura encontra; e, para quem bate, se abrirá.

Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!"

Depois de ter-nos ensinado a oração dominical, Jesus quer ensinar-nos a persistir na oração. Não podemos ter medo de ser "inoportunos" e "inconvenientes" com Deus, porque Ele está sempre disposto a ouvir os que, confiantes, não cessam de O invocar. É o próprio Senhor quem o revela, ao dizer no Evangelho de hoje aquelas palavras tão conhecidas de todo cristão: "Pedi e recebereis; procurai e encontrareis".

Ora, o pão que aquele amigo incômodo pede, em plena madrugada, ao outro amigo que já dorme, também nós o temos de pedir, mas num sentido espiritual: o pão da graça sobrenatural. Deus, com efeito, é nosso Pai; chamou-nos a, renascidos pelo Batismo, participar de sua vida divina e ser contados entre seus herdeiros e familiares. Ele, porém, não nos obriga a fazê-lo, e permite-nos escolher entre fazer parte ou não de sua família. 

É aqui que entra a necessidade da oração em ordem tanto à nossa santificação quanto à consecução da vida eterna. Se queremos, pois, a graça de Deus, temos de pedi-la; se queremos ser configurados a Cristo e ser contados entre os filhos do Pai, temos de pedi-lo, pois somente a graça é capaz de operar em nós o que de todo supera nossas capacidades naturais. Roguemos hoje ao Senhor — que se faz presente não nos tremores da terra, mas na brisa suave da tarde — que nos dê o seu Santo Espírito, a fim de que, enriquecidos da graça divina, possamos elevar o coração ao alto e confessar com verdade e alegria: Abba! Pai!

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Espelho completo e corrigido do link com os textos, áudio transcritos, bibliografias e referências:
https://padrepauloricardo.org/episodios/perseveranca-na-oracao